Assédio no Egito: descobri que valia 4000 camelos

Assédio no Egito é algo comum às turistas mulheres que desejam visitar os lugares históricos e os templos mais bonitos do mundo.

Frente do Templo de Abu Simbel
Frente do Templo de Abu Simbel

Não importa se você estiver com companhias masculinas ou com uma agência especializada, como foi no meu caso.

O incômodo vai das “cantadinhas sem graça” em mercados populares, até às propostas financeiras, como a dos 4 mil camelos, que ofereceram por mim e vou falar logo mais.

O assédio no Egito

Porque as turistas sofrem assédio no país

Do meu ponto de vista, isso acontece porque fisicamente somos diferentes das nativas e as nossas roupas, por mais que sejam comportadas, são mais descobertas que as das egípcias.

Por lá, as egípcias usam burcas ou vestidos pretos bem soltos e compridos, além do lenços cobrindo completamente os cabelos.

Como as mulheres se vestem no Egito
Como as mulheres se vestem no Egito

Como é o relacionamento no Egito

Eu tive a oportunidade de conversar com um local de forma muito profunda sobre isso e ele me disse que os homens somente podem ter relacionamentos com alguma mulher, depois de acertar “o dote” com a família.

Para casar, além do acerto financeiro, é preciso comprar uma casa, mobilhar ela inteira e colocá-la no nome da mulher.

Mas o Egito é um país muito pobre, então, conseguir todas estas coisas é bastante difícil para um cidadão comum e, por isso, o “relacionamento sério” está perdendo a força. Aí que, do meu ponto de vista, as turistas estrangeiras parecem ser interessantes para eles…

Prédios do Cairo
O Egito é um país muito pobre…

Mesmo que os egípcios não tenham acesso diretamente à cultura ocidental, eles sabem que há grandes diferenças para essas coisas de relacionamento.

Daí junta com o nosso biotipo que gera curiosidade, as roupas diferentes, talvez uma possibilidade de relacionamento e… BINGO. Acontecem as cantadas, as propostas financeiras e permutas…

Onde acontece o assédio no Egito

Em qualquer lugar. Tanto na capital, Cairo, como no interior.

Por isso, não recomendo que se saia sozinha para lugar nenhum. Não é o tipo de país que você sai andando a pé e tudo bem se você se perder.

Assédio no Cairo

No Cairo, não passaram das cantadas leves, mesmo estando ao lado do meu marido o tempo todo. Não sei se tem algum significado um anel de ouro no dedo para eles, mas nós usamos as nossas alianças o tempo todo.

A única coisa que não fizemos, porque não é recomendado por lá, era andar de mãos dadas, mas sempre estavamos lado a lado. Então, nos comportávamos como a cultura exige e não demonstramos nenhuma manifestação de carinho em público.

Para mim, na cidade, o assédio aconteceu dentro do Hard Rock Café, quando fui jantar com o meu marido.

Acredito que o homem era um cliente de lá e quando me viu, disse que eu era linda várias vezes e que o meu companheiro era muito abençoado por estar ao meu lado (dando uma piscadela para mim).

Outro lugar que nem sei quantas vezes escutei algo do tipo foi no mercado Khan el Khalilli, que é muito frequentado por turistas que querem comprar produtos típicos. Lá escutava “para você é de graça”, entre coisas do tipo.

Khan el Khalilli
Roupa fechada, inclusive, braços cobertos, no mercado popular Khan el Khalilli

Assédio em Luxor: quando ficou pior 

Em Luxor, o assédio ficou complicado…

Por incrível que pareça, esta foi a minha cidade favorita no país, porque os Templos são tão maravilhosos, que nos deixam embasbacados, de tanto aprendizado, história, beleza, etc.

Dentro da área dos Templos, com ingresso comprado para entrar nestes lugares, vinham sempre 2 homens pedindo (ou não) para tirar fotos comigo (ou de mim). Em cada templo, pelo menos uma dupla de egípicios homens sempre se aproximava de mim.

Mas os egípcios tiram muita foto com turistas mesmo, certo? 

Verdade. Muitos egípcios pedem para tirar fotos com os turistas. Homens, mulheres e crianças, porque somos diferentes e isso é curioso para eles, como mencionei anteriormente.

Muitas e muitas fotos são tiradas. Nas pirâmides, cheguei a ter uma fila de pessoas querendo tirar foto comigo, como se fosse uma atriz de Hollywood.

Com as mulheres e crianças eu sempre tirava fotos, porque entendo que eles nunca viram pessoas de fora e as oportunidade de se saber algo sobre o ocidente são remotas por lá. Tudo parece meio “fechado”, na verdade. Pela política, pela religião, sei lá.

Crianças egípcias
Sucesso de Ares do Mundo. Mentira, era só mais uma foto com um grupo de crianças egípcias mesmo

Alguns sites não funcionam; música, só escutei em árabe (no Uber, hall do hotel e em restaurantes); redes internacionais de restaurantes, por sinal, não vi nenhuma. Nem McDonald´s. Enfim… Eles vivem “em seu próprio mundo”.

Com homens, eu não tirava fotos. Porque percebi o comportamento de alguns com turistas mulheres, que me deixou incomodada.

Sem as mesmas perceberem, eles passavam por elas e tiravam fotos com o celular. Depois se sentavam em algum canto e ficavam fazendo sei lá o que pelo aparelho. Por que faziam isso?

Quando vi acontecendo com uma aqui, outra ali, comecei a ficar atenta com as pessoas que se aproximavam de mim e “batata”. Vi 2 homens egípcios tirando foto da minha traseira.

E não adianta brigar…

Não adiantava brigar. Eles não falavam inglês. E quando eu ficava brava e demonstrava estar insatisfeita com a situação, eles pediam para tirar foto comigo.

Daí meu marido demonstrava estar bravo também, mas, só quando o guia do meu grupo falava alguma coisa em árabe, eles iam embora.

Em cada Templo que entrava ou em tumbas específicas do Vale dos Reis, precisei ficar atenta ao movimento e meu marido começou a ficar sempre atrás de mim. Eles tentavam tirar fotos a todo custo e fiquei bem estressada com a situação, porque só queria me dedicar às belezas dos templos e lugares históricos incríveis que passava.

A proposta financeira: “4000 camelos ou 1 das minhas 4 mulheres”

Quando fui para o Egito já sabia que esse tipo de proposta financeira poderia acontecer, porque outros conhecidos que já tinham ido para lá me falaram.

Logo, quando aconteceu comigo, não me pegou de surpresa, embora, na prática, a sensação de “ter alguém querendo te comprar” é muito ruim.

Estava em uma loja de alabastros, pedra típica do país, onde muitos objetos são comercializados por artesãos.

Um dos funcionários foi conversar com o meu marido, enquanto eu via se ia comprar algo no estabelecimento. Nem percebi que estava rolando uma negociação sobre mim, porque estava distraída com as prateleiras cheias de coisas lindas.

Depois de um tempo, este funcionário foi fazer uma apresentação dos produtos ao meu grupo turístico e ele falou no meio da apresentação: “Você é linda! Não quer ficar no Egito?”.

Fiquei com muita, muita, muita vergonha e só abaixei a cabeça, não respondi.

Estão oferecendo “dote” por você…

Depois disso, meu marido pegou levemente no meu braço e me disse: “vamos esperar no ônibus?”. Ele já tentou oferecer “dote” por você 2 vezes.

Nem pensei direito, sai com ele imediatamente da loja, sem comprar nada e fui para o ônibus de turismo. Não fiquei com medo, mas me senti estranha com a situação.

Dentro do ônibus, ele então me contou que o tal homem tentou oferecer 4000 camelos por mim e, que quando recusou, o egípcio disse que ele poderia me trocar por qualquer uma das 4 mulheres atuais dele também. Meu marido disse “não” novamente, de forma séria, e saiu andando.

A postura precisa ser séria, não é brincadeira

Não é brincadeira isso e não encare como tal ao ir para o Egito, porque a negociação evolui, se você achar engraçado, sorrir, ou algo do tipo.

Os camelos são oferecidos, porque para o egípcio é algo de muito valor, já que turistas gostam de andar em camelos. Então, é uma oportunidade lucrativa de negócio.

Na verdade, não oferecem só camelos, mas o que o interessado puder pagar. Ouro, especiarias, camelos ou até a permuta (com a troca da mulher dele).

Mas eu estava com as roupas certas

Estava completamente coberta na maioria das situações. Eventualmente saia com camiseta com manga curta (não regata, manga curta, mesmo), mas usava lenço por cima.

Só não costumava usar lenço nos cabelos, porque turistas mulheres andam assim por lá.

Templo de Luxor
Nas ruínas do Templo de Luxor, com os braços descobertos

Se eu voltaria para o Egito?

Sem sombra de dúvidas. Eu AMEI o Egito! E foi um dos países mais incríveis que conheci na minha vida. Pretendo voltar, inclusive, para conhecer Alexandria e algumas cidades que beiram o Mar Vermelho.

Como disse em outras posts que escrevi sobre o país, é preciso ir para lá com a “cabeça aberta” e, se possível, com uma boa agência por trás para facilitar o dia a dia.

Claro que não estou defendendo qualquer situação de assédio (não é esse o ponto e nunca será), mas é um país muito diferente do Brasil. Não tem como exigir determinados comportamentos.

Se você tiver dúvidas sobre o Egito, já passou por situações similares ou quer conhecê-lo, escreva seu comentário abaixo. Logo respondemos 🙂

O quê falta para a sua viagem?

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