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A incrível Pompéia e o mistério do vulcão que petrificou a população

Quem imaginaria que no ano de 79, a apenas 22 km de Nápoles, na Itália, a pequena cidade de Pompéia seria sepultada pelo manifesto de um vulcão que despertava ali nas proximidades? A história aconteceu de verdade e é mesmo assustadora. Entre o verão e o outono europeu, o vulcão Vesúvio expeliu gases tóxicos, sufocou e transformou em pedra 80% da população que residia no município. Depois de muitos séculos, no ano de 1599, quando arqueólogos estudavam o desvio do rio Sarno, esbarraram acidentalmente em partes da arquitetura de Pompéia e o triste fato, que estava escondido embaixo de escombros e muita poeira, reapareceu de forma assoladora. Amostras de uma sociedade antiga iriam ser contadas e ilustradas por seus habitantes estáticos. Uma tragédia não mais oculta.

A vida antes da catástrofe

Pompéia era um lugar agitado. Cerca de 20 mil habitantes, desde soldados provincianos a aristocratas interessados em casas de veraneio, davam vida às ruelas de pedra da cidade e basicamente só saiam de lá para atividades comerciais.

As principais fontes de sobrevivência vinham do cultivo do azeite e vinho. A classe média e os mais favorecidos economicamente tinham escravos que trabalhavam na agricultura, logística de produtos e nas atividades domésticas. Importante rotina relatada de forma preservada ainda hoje nas pinturas das paredes e artes que exibem os venerados deuses, a “religião” da época.

   

Pelo dinamismo da cidade e dos negócios, os pompeianos viviam cada dia como se fosse o último. Isso, para muitos historiadores, fazia com que Pompéia parecesse uma grande colônia de férias e um lugar destinado à diversão. Contudo, estes eram apenas traços comuns da sociedade romana da antiguidade, que hoje talvez seja difícil de perceber diante de uma história com tantas guerras e reconstruções envolvendo municípios com a mesma origem.

Além das relações comerciais já descritas, os pompeianos gostavam muito de usar o latim escrachado, uma língua expressada nos grafites pela cidade, mas dificilmente observada na forma clássica ou literária. Chamaria de linguagem de grafiteiros mesmo (se é que existe), uma vez que ainda hoje muitos idiomas são manifestados de uma forma não usual neste tipo de demonstração, seja pela pureza da arte ou pelo vandalismo.

Prostíbulos (palavra e significado que veio mesmo do latim) eram locais bastante frequentados pelos moradores e por visitantes. Historiadores afirmam que em Pompéia tinha um cabaré para cada 286 habitantes. Quem entrava nestes recintos era embebedado pelas anfitriãs, e estes apontavam para uma das pinturas nas paredes, para indicar a posição sexual desejada. Uma das mulheres levava o visitante para a cabine com cama de pedra e lá faziam o serviço. As camas eram propositadamente feitas deste material para a ação ser mais rápida, pois assim o cliente da vez não acharia confortável e iria embora logo. Ao entrar em um destes recintos, achei muito interessante a expressão curiosa dos visitantes. Tive a impressão que o tema parecia mais natural um século depois de Cristo do que hoje, em dias tão evoluídos. Uma reflexão apenas.

Menu de posições sexuais

Cama de pedras usadas para agilizar os trabalhos no prostíbulo

Apesar de Pompéia soar um tanto antiga e de costumes simplórios, na verdade, ela era extremamente moderna. A cidade carregava a inovação esplendorosa do Império Romano. A inteligente engenharia e arquitetura sofisticada, grandes legados dos romanos, construíam com perfeição as residências, fazia funcionar o sistema de abastecimento de água e protegia a cidade com sucesso, até das mais terríveis chuvas.

Veja esta primeira foto abaixo, por exemplo. Fiquei boquiaberta quando soube da engenharia que estava por trás das ruas de pedras e das calçadas niveladas. Durante as tempestades, estas o formato ajudava a água a fluir, evitando as enchentes nas residências. As pessoas ao caminhar pela parte alta não molhavam os pés e poderiam até atravessar as ruas pelas passarelas.

Outro fator que me impressionou bastante foi a eficiência do abastecimento de água dentro da cidade. Um aqueduto era ligado aos encanamentos principais e assim todos poderiam usufruir da água sem grande sacrifício.

Encanamentos que abasteciam a cidade inteira com água

Já sobre a sociedade, ela funcionava perfeitamente bem. Tinham fóruns, um comércio variado, padarias e até um anfiteatro, onde aconteciam os espetáculos para entretenimento da população. Existiam também as propagandas políticas, ótimos artesãos e até banhos (banheiros públicos para a higiene).

Anfiteatro: Local onde ocorriam as lutas de gladiadores e espetáculos.

Centro econômico de Pompéia.

O dia em que o vulcão Vesúvio despertou

Os acontecimentos locais mostravam para a região que algo terrível estava por vir. Terremotos chegaram a destruir partes da cidade anos antes do desastre fatal. Com as terras mexendo com tanta frequência, o Vesúvio despertou do seu sono profundo. Enlouquecido, como quem acorda com o toque de um despertador em meio a um sonho, logo começou a dar sinais do seu mau humor. Os cidadãos, enquanto isso, seguiam com as suas rotinas na região. Os comerciantes vendiam sopas e pães nas suas lojas, as fábricas de lâmpadas à óleo trabalhavam a todo vapor, as crianças brincavam e os agricultores estavam em plena atividade nas terras férteis.

Por volta de uma hora da tarde, o vulcão começou a jogar para o alto gigantescas pedras e nuvens tóxicas. Os pedregulhos chegaram a atingir com força Pompéia, soterrando as residências e matando as pessoas. As que conseguiam desviar das pedradas, tentavam fugir da cidade por uma das entradas que cercavam todo o município. Muitos especialistas disseram que a fumaça e o calor (de até 250°C) dominaram o lugar e eram suficientes para matar em instantes qualquer ser vivo. Por asfixia e calor, os habitantes ficavam mais lentos, com muita dor e em pouco tempo morriam. Mais de 16 mil pessoas faleceram durante a catástrofe. Apenas 4 mil sobreviveram.

Mapa de Pompéia e as diferentes possibilidade de saída da cidade.

Segundo Plínio, um jovem que avistou toda a tragédia por estar a uma distância segura, a cidade foi mesmo coberta por uma nuvem escura assustadora. Em termos de precisão, outro estudioso apontou que a catástrofe poderia ser até 100 vezes pior que a bomba de Hiroshima.

Depois do acidente, a descoberta

Alguns dias depois do acidente, sobreviventes tentaram voltar à cidade para recuperar os seus bens, porém, não encontraram nada. Pompéia tinha sido absolutamente soterrada por pedras e poeira.

Séculos e mais séculos se passaram até que, em 1599, arqueólogos começaram a estudar a região a fundo com o objetivo de desviar o rumo do rio Sarno. Descobriram, por acidente, uma pintura antiga e dela a existência de uma cidade inteira. As supostas milhares de estátuas encontradas não eram representações feitas com materiais nobres, mas sim pessoas de verdade, que por meio dos seus corpos petrificados, mostravam a existência de uma civilização em plena evolução.

Muitos corpos foram encontrados em posição fetal, o que demonstrou o terror da morte por asfixia e desidratação. Estão cobertas integralmente por um material branco enrijecido, que se trata da poeira do vulcão. Esta, quando cobre qualquer objeto ou pessoa, tem a propriedade de criar um “cimento perfeito”, mais resistente até que o material produzido pelo próprio homem.

Os pesquisadores encontraram milhares de corpos nestas condições. Famílias inteiras, crianças, animais e muitos objetos da antiga cidade. Alguns estão expostos por toda Pompéia para que os visitantes entendam a amplitude daquele desastre. Outros são preservados em estruturas fechadas, como no Museu de Nápoles, por exemplo.

Adolescente no momento da morte.

Criança petrificada e outros achados nas escavações.

O Vesúvio continua ativo

Por incrível que pareça, existem pessoas que moram ao redor da parte histórica de Pompéia. Quase 30 mil habitantes, segundo fui informada durante o passeio.

O Vesúvio não está inativo. Ele apenas está adormecido e, por poder acordar a qualquer momento, o governo italiano constantemente incentiva a população a se mudar. Os cidadãos, contudo, afirmam não se interessar pela proposta, pois não teriam como se manter financeiramente em outro lugar. Além disso, eles alegam gostar muito da região e são orgulhosos pelo destino receber mais de 800 mil visitantes por ano. Grande parte da população se dedica ao turismo e à agricultura.

Contra as forças da natureza, não tem muito o que argumentar. Só nos resta torcer mesmo para que o Vesúvio continue adormecido e que a história jamais se repita.

Dicas para você aproveitar ao máximo a experiência em Pompéia

Para vivenciar a história de Pompéia, recomendo passar pelo menos um fim de semana inteiro na cidade, pois o sítio arqueológico é gigantesco e um dia não seria o suficiente para percorre-lo. Na cidade há excelentes opções de hotéis e você pode encontrá-los AQUI. Já se a sua passagem pela Itália não for longa, recomendo pelo menos um tour de um dia inteiro, com um guia local (eles apresentam a cidade e a história de forma apaixonada e isto faz a experiência ser muito rica). O passeio pode ser adquirido facilmente AQUI. Estando em Roma ou em Nápoles, fica bem fácil programar a viagem. De Nápoles, demora cerca de 20 minutos de ônibus. De Roma, em torno de 1 hora e meia, com o mesmo modelo de transporte. Como as estradas italianas são excelentes, passa rapidinho.

Recomendo também uma passagem no Museu de Nápoles após o término do passeio. Diria que é a cereja do bolo. Como mencionei anteriormente, muitos objetos que foram encontrados em Pompéia foram levados para locais cobertos, afim de minimizar a ação de desgaste do tempo. Além disso, o Museu é muito bonito. Vale realmente a pena.

😉

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