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Como aproveitar ao máximo o seu primeiro intercâmbio

O primeiro intercâmbio é sempre um passo grande e difícil de se dar, tanto para quem deseja ter esta experiência no exterior, quanto para a família. Os familiares, na maioria das vezes, influenciam os sonhadores de forma negativa, criando cenários pessimistas e enchendo os potenciais estudantes de vários medos. Já os estudantes ficam perdidos entre as vontades e as aflições e acabam não decidindo nada.

Neste post reuni algumas informações úteis para ajudar a esclarecer as principais dúvidas das duas partes: como estudar fora, os tipos de residências que os estudantes podem escolher, a rotina dentro das escolas, as experiências culturais, etc. Estando os principais pontos da viagem entendidos, a decisão poderá ser tomada e o intercâmbio poderá ser aproveitado ao máximo, independente do destino escolhido.

Passo 1: A vontade

Fiz intercâmbio três vezes na minha vida. Uma foi para o Canadá, quando tinha 20 anos; a segunda vez foi para a Espanha, com 25; a terceira, para a Itália, com 31. Acho que por já ter vivido estas experiências em fases de vida e destinos diferentes, a vontade é algo fácil de explicar.

O meu primeiro intercâmbio foi para Toronto. E esta foi uma cidade muito marcante para mim, pois foi a primeira vez que viajei sozinha para fora do Brasil. Fui para estudar inglês e ficar por um tempo, não foi uma viagem de apenas uma semana em que eu voltaria logo caso não gostasse. Decidi investir nesta experiência no meio da faculdade. Fui para lá porque muitos colegas iam e voltavam falando mil maravilhas de tudo e eu também precisava dar uma turbinada no inglês.

A minha mãe me apoiou no começo, mas no aeroporto, com as malas prontas e prestes a embarcar, chorou e pediu para eu desistir por muitos e muitos medos que ela tinha de eu ir para um país diferente sozinha.

Eu estava decidida, bem informada sobre tudo e não mudei de opinião. Me despedi brevemente, fiz promessas de manter contato (e naquela época não tinha WhatsApp) e fui para a área de embarque.

Passo 2: Fechar diretamente com a escola ou com agência?

Fechei a viagem por meio de uma grande agência de intercâmbio do Brasil. Muita gente fala nessas horas: “Ahh! Fecha direto com a escola do país que você quer estudar porque é mais barato e tal”. Mas, além desta afirmação nem sempre ser verdadeira, acho que é importante ter a quem recorrer caso precise de algum apoio, principalmente para quem não tem tanta experiência de viagem, ou não fala muito bem o idioma. A agência do Brasil vira um suporte geral para qualquer coisa que o estudante precise. Então, tê-la por perto, mesmo que não seja necessário, pode dar mais tranquilidade para todos.

Ficar em residência estudantil, apartamento estudantil ou casa de família?

Se você optar por residência estudantil, vai ter uma vida mais agitada, com festas dentro da residência, horários mais tardios para dormir e terá que seguir algumas regras estabelecidas pela casa. Outra opção seria o apartamento estudantil, e o que basicamente muda é o número de estudantes que irá morar no mesmo local, que é menor do que uma residência. E claro, as regras precisarão ser alinhadas com os outros estudantes que morarem com você, além de cumprir os requisitos de quem alugou o apartamento.

Como eu fui para lá para estudar mesmo e me importava com uma rotina mais regrada, optei por ficar em casa de família. Para esta opção, geralmente a agência pergunta se você quer que tenha crianças em casa, animais, se você fuma ou não e muita calma na sinceridade (risos). Aconselho que você sempre peça para ter crianças em casa (mesmo que não goste de crianças), pois se os pais não forem simpáticos, elas geralmente são e você poderá interagir e aprender. Já sobre animais, mesmo que você ame a natureza, precisa saber que exitem famílias com hábitos de higiene diferentes dos seus e você poderá ter problemas, como: falta de recolhimento diário das fezes, cheiro por falta de banho ou hábitos diferenciados da família, como dar as louças da casa para o bichinhos lamberem no final das refeições. Então, pense bem sobre o que você realmente quer e considere as situações extremas.

Casa de família é um sorteio de loteria, rs… Tive amigos da escola que ficaram em casas de canadenses e estas famílias eram interessadas em conhecer culturas diferentes e, por isso, se inscreviam em programas de intercâmbio e tal. Ouvi histórias também que até lanchinho a família fazia para os intercambistas levarem na escola, que programavam viagens pelo Canadá para fazerem de fim de semana. Esses casos costumo chamar de “intercambistas premiados” (risos).

Escutei também casos de pessoas que ficaram em casas de famílias imigrantes no Canadá, o que é muito comum, porque tem muito imigrante por lá, e estas amaram também a experiência ou passaram verdadeiros apertos com a cultura, higiene, entre outras coisas.

A dica aqui é:  Seja BEM específico quando você for fechar o intercâmbio com relação ao perfil e a cultura da casa que você quer ficar para a agência (ou responsável) conseguir encontrar a solução mais adequada para a sua necessidade.

Passo 3: Véspera da viagem e a chegada no Canadá

A poucos dias do meu intercâmbio, chegou em casa o perfil da família que ia morar no Canadá. Fiquei brava com a agência porque o sobrenome da minha “homestay” era português. Achei que era portuguesa (ou brasileira) e que não falariam comigo em inglês, mas no final das contas era indiana… Globalização feelings!

Só descobri a origem da minha família quando o táxi que me levou do aeroporto até a minha nova casa, estacionou no meio de um condomínio de árabes, afegãos, indianos, outros povos do Oriente, e disse: “Chegamos!”

Fiquei meio sem palavras quando cheguei porque via mulheres usando trajes bem diferentes daqueles que tinha visto em revistas canadenses ou em guias de turismo. Algumas também de burca, e eles falavam outras línguas que não o inglês. Sai do táxi com medo do que me esperava porque tinha imaginado uma recepção culturalmente canadense. E não sabia se estava preparada para aquela experiência em especial. Mas segui a diante e felizmente não desisti.

A minha homestay era muito simpática, amorosa e sempre deixava o filho dela à disposição para qualquer coisa que precisasse porque ela trabalhava fora o dia todo.

Quando cheguei, alinhamos as regras da casa e as do intercâmbio. Ela sempre se preocupou bastante em me deixar confortável e em oferecer o que eu gostava para comer. Além de preparar comidas que eu habitualmente gostava, também me oferecia a tradicional comida indiana.

Dicas de apoio geral sobre onde você for morar:

  • Se você ficar em uma casa que não gostar, pode pedir para agência ou a escola te trocar de lugar. Lembre-se que você está pagando caro e precisa se sentir confortável.
  • Não feche pela agência ou pela escola um período longo de moradia em nenhum lugar. Acontece com frequência de amigos fazerem pequenos grupos e alugarem um apartamento por conta. Além de muitas vezes ser mais legal morar com amigos, pode ser mais barato também. Recomendo fechar 1 mês para testar a residência e qualquer coisa renovar depois porque é bem difícil de devolverem o dinheiro também.
  • Se não concordar com as regras da casa, avalie e se não der para flexibilizar, tente conversar.

A escola

A escola que estudei em Toronto na época era a LSC. A agência de intercâmbio geralmente seleciona a escola pela idade e objetivo de curso. Este é outro detalhe que você precisa prestar a atenção caso feche o programa de intercâmbio diretamente com a escola para não correr o risco de cair em uma instituição com um perfil de alunos muito diferente do seu.

Quando você chega em uma escola de idiomas, por exemplo, geralmente faz um teste para ver o nível de “língua” que você esta e dai é direcionado para uma turma adequada. Se for fazer algum curso específico, a escola geralmente pede um certificado de língua antes do início das aulas.

A instituição que estudei foi maravilhosa! Amei os amigos que fiz e falo com alguns deles até hoje. Lá interagi com diferentes culturas também, na minha sala de aula, por exemplo, tinham pelo menos umas 10 nacionalidades diferentes.

Sobre a programação, também não é algo para se preocupar. A própria escola geralmente apresenta um cronograma de atividades para fazer fora do horário escolar e de fim de semana. Às vezes, elas planejam algumas viagens para outras cidades e países, dependendo de onde estiver.

Passeio feito pela escola para Niagara Falls.

Passeio feito pela escola para Niagara Falls.

A escolha do curso

Não recomendo nenhum programa intensivo de língua ou de estudos, a não ser que seu objetivo seja exclusivamente estudar, porque ficar o dia inteiro na escola é muito chato quando se tem um país inteiro para explorar te esperando do lado de fora da janela. Conheci muitos estudantes que se arrependeram amargamente de fechar programas intensivos, porque a escola não devolvia o dinheiro e eles passavam o dia todo dentro da escola.

Também vale prestar atenção no tempo total do curso que você quer fechar. Recomendo que negocie um mês apenas, mesmo que tenha a intenção de ficar 3, 6, 12 meses, porque a escolas podem não devolver o dinheiro e é muito comum o estudante querer fechar alguma viagem e não poder viajar por causa das aulas perdidas.

E o transporte

Precisa ficar de olho no site do local que você está. Tem lugares em que se têm passes econômicos mensais, trimestrais e até anuais. Esses passes geralmente servem para tudo: metro, trem, ônibus. Mas alerto que é importante conhecer as regras de uso, porque uma vez entrei num ônibus com um motorista autoritário em Toronto (como geralmente são lá…) e ele cassou meu passe mensal por não ter ID canadense. Na época perdi uns 100 dólares canadenses e ninguém tinha me falado sobre a necessidade do documento.

Além dele cassar meu pass e chamar a minha atenção na frente de todo mundo, ainda deu risada olhando para mim pelo retrovisor, pois estava sentada no fundo do ônibus com meu sanduíche de 2 dólares toda encolhida de vergonha.

Bom, espero ter ajudado você e a sua família no processo de decisão sobre o intercâmbio. Acredito que agora você já tem informações bem completas para aproveitar ao máximo a viagem. Se tiver dúvidas, me escreva. Se não tiver, me conte depois como foi a sua experiência! Vou adorar saber!

😉

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