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Kim Phúc, a “Menina da Foto“, fala sobre a Guerra do Vietnã e deixa uma mensagem de paz

Uma das imagens mais marcantes da Guerra do Vietnã, que matou mais de um milhão de pessoas, sem dúvida é a de Kim Phúc, em 1972, fugindo de um bombardeio em sua aldeia. Ela tinha apenas nove anos e o ataque químico deixou marcas não apenas no seu corpo, como também em sua alma.

Crianças fugindo da guerra
Kim Phúc fugindo com outras crianças, em meio a soldados e ao terror, durante a Guerra do Vietnã (crédito: Nick Ut/AP, 8 de junho de 1972).

Ela precisou correr nua entre soldados e outras crianças. O registro rendeu a Nick Ut o prêmio Pulitzer, em 1973, por Fotografia de Última Hora (hoje chamado de Reportagem Fotográfica). E ela ficou conhecida como a “Menina da Foto”. Moradora do Canadá, hoje é Embaixadora da Boa Vontade, pela UNESCO, e viaja o mundo para transmitir um pouco de paz.

Em visita ao Brasil, para o lançamento da sua autobiografia chamada “Minhas memórias: do horror da guerra ao caminho da paz”, ela conversou com “Ares do Mundo” e falou sobre o seu trabalho, as suas memórias da guerra, família e a sua publicação.

Como é trabalhar como embaixadora da Unesco?

Sou Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO pela paz e, onde quer que eu vá, tento promover a paz. Minha missão também é promover um programa da UNESCO chamado “Educação para todos”.

Talvez, a imagem que as pessoas mais se recordam, quando falam da Guerra do Vietnã, é sua. Como a sua vida mudou depois desse episódio?

A minha foto, ainda como uma criança na Guerra do Vietnã, realmente é icônica. Realmente, muitas pessoas se referem à minha foto quando falam desta guerra. Minha vida mudou drasticamente depois do bombardeio. Eu era uma menina feliz, de 9 anos, que foi deixada no necrotério para morrer. Porém, agradeço a Deus por ter sobrevivido e por todas as bênçãos em minha vida.

Você já voltou ao Vietnã depois da Guerra? Qual foi o seu sentimento?

Sim, eu já voltei ao Vietnã para visitar a minha família, que ainda mora lá. Agradeço a Deus por me dar força para voltar e lembrar tudo o que aconteceu., naquele dia, em 1972. Também agradeço a Deus pela paz que só ele pode me dar.

Como você contou tudo o que aconteceu em sua vida para os seus filhos? Quais os valores que você procura passar para eles?

Meus dois filhos, dois jovens homens, entendem o que aconteceu comigo. Eles estiveram presentes nesta jornada nos últimos 20 anos.  Para mim, sempre foi muito importante que os meus filhos entendessem o amor de Deus e tenho muito orgulho em dizer que eles são cristãos. O Thomas se formou na Faculdade Bíblica e agora é um missionário, enquanto o Stephen ainda é um estudante do mesmo curso e também servirá ao Senhor.

Kim Phúc e as marcas da guerra
Kim Phúc segurando o filho Thomas (crédito: Anne Bayin/Divulgação)

Você já esteve com alguém que passou pela mesma situação no Vietnã? Como foi esse encontro?


Eu tenho familiares que passaram pelo mesmo bombardeio e, claro, permanecemos em contato ao longo dos anos. Mas, sempre que me encontro com outras vítimas de guerra, especialmente crianças, rezo para que elas possam encontrar a mesma paz que encontrei, porque conheço a dor que estão sentindo, física e emocionalmente.

Qual mensagem você deseja transmitir para as pessoas com o seu livro?


Através do meu livro e dos meus compromissos, a minha mensagem é sempre uma mensagem de perdão. Perdão da dor, do ódio, da amargura e de como consegui aprender o verdadeiro perdão através do meu relacionamento com Jesus Cristo.

Por que você decidiu morar no Canadá? Como você vê a recepção dos imigrantes no país?



A oportunidade de viver no Canadá se apresentou quando meu marido estava voltando para Cuba, da Rússia, e o avião precisou parar para reabastecer em Gander, Newfoundland. Eu não sabia muito sobre o Canadá, tinha o conhecimento que era um país livre. Eu sou muito grata pelas pessoas em Newfoundland, e depois em Toronto. Eles nos ajudaram conseguimos ajustar nossas vidas em um novo país.

Como você o atual momento do Brasil?

Eu rezo pela população brasileira, por sua saúde e força. Eu também oro pelos líderes do país, para que eles olhem para o nosso grande Deus em busca orientação e sabedoria.

* Para saber mais sobre o dia que mudou a vida de Kim Phúc, clique AQUI.

a menina do Vietnã e o marido, sorrindo em foto
O fotógrafo Nick Ut, que tirou a foto de Kim Phúc na Guerra do Vietnã (crédito: Kim Phúc/ Divulgação)

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