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Dez passos para mudar de país sem culpa

Muitos amigos e familiares estão se mudando de país para buscar novas oportunidades. Acho que não é uma observação apenas minha quando rolo para baixo a timeline do Facebook. Bastante gente tem ido para Portugal, Estados Unidos e outros países da Oceania.

Esta tomada de decisão é sofrida para todo mundo. Não apenas para os familiares e amigos próximos que deixamos no país de origem, quando comunicamos as nossas intenções, mas também para a gente que decide buscar uma perspectiva diferente, se desprenderem dos elos afetivos carinhosos de um povo que tem as mesmas raízes que as nossas e ir para um território em que não conhecemos plenamente. Vale a pena “pagar para ver”? E, se…? E, se…? E, se…?

São mesmo muitas dúvidas. Compreendo todas elas. Por isso, reuni abaixo os 10 passos que acredito serem decisivos para tomar esta decisão sem culpa. Vamos lá!

1- Coloque os prós e contras em uma balança

Por que você quer mudar de país? O quê pesaria para você ficar onde está?

Em uma folha de caderno, liste todos os prós e contras em duas colunas e considere o lado que é mais importante para você. Este exercício é um retrato de como você se vê, dos seus objetivos e dos seus sonhos. Uma vez que você faz este exercício, a sua decisão sobre mudar ou não de país estará sempre mais firme.

Se for um casal, ou uma família, peça para que cada indivíduo faça a sua própria lista e considere a somatória dos fatores das colunas para a decisão em conjunto.

Importante: faça em um lugar silencioso, sozinho e sem a ajuda de ninguém. É um exercício seu com você mesmo.

2- Para onde ir?

Tem alguns países em mente? Ótimo. Liste eles e estudo tudo o que puder sobre eles.

Como são os costumes de quem mora lá, como recebem imigrantes, quais são as leis, qual seria o seu custo de vida, que possibilidades você teria de conseguir emprego na sua área de formação, enfim, essas coisas. Tem muitos blogs de pessoas que residem no exterior, que podem te ajudar inclusive.

Se você tiver cidadania do país que se pretende ir, a sua sensação de pertencimento será absolutamente maior do que se não tiver. Infelizmente, é verdade isso. Além disso, você terá direito de trabalhar, de obter os benefícios locais com relação à saúde, moradia, etc. Se não tiver cidadania, busque entender bem as regras para imigrantes.

Importante: não tente burlar as regras. Vá de forma legal! Você se sentirá melhor no dia a dia e a sua adaptação será mais fácil também, pois oportunidades podem surgir fazendo as coisas de forma correta.

3- Estude a língua

Além de ser muito gostoso estudar um idioma diferente, entender e poder se comunicar com as pessoas onde você está, faz com que você não se sinta um ET.  Apenas saia do país que você está para este destino quando tiver o nível básico completo. Assim você poderá pedir um táxi, fazer compras e quem sabe até conseguir um emprego rapidamente. 

4- Programe a viagem

Definiu o país que você pretende residir e já tem o nível básico do idioma do destino? Perfeito!

Agora você precisa planejar a sua viagem. Recomendo que estabeleça a data, a partir do momento que tiver o orçamento necessário para viver por pelo menos 6 meses no país. Não esqueça de considerar o dinheiro do aluguel da sua casa, alimentação, transporte, diversão, pequenas viagens, compras e imprevistos.

Tendo em mente que o orçamento da sua viagem está certo para um período mínimo de permanência, você se sentirá mais confortável para vivenciar a cultura do lugar. Costumo dizer que viajar sem dinheiro, seja para turismo ou para morar, não é nada bacana. Você ficará tenso com qualquer pequeno gasto e não aproveitará nada. Com planejamento as coisas saem direito.

5- Coloque em prática o seu plano pessoal ao pisar no destino sonhado

O quê você gostaria de fazer neste país? Comece a buscar as oportunidades. Se quer um emprego, busque as empresas locais de emprego e dê uma pesquisada no Linkedin do país. Se quer colocar em prática um hobby, busque saber mais sobre isto. Enfim, quais os seus objetivos estando no país? Fazer o que você sente vontade te fará se sentir mais satisfeito no dia a dia.

6- Faça amigos!

Não precisa cumprimentar todos que passam por você na rua, não (risos). Acontece de forma natural isso. Além da comunidade de estrangeiros, onde você poderá encontrar pessoas com a mesma nacionalidade que a sua, os vizinhos e pessoas do convívio diário podem te ajudar a estabelecer uma rotina e se acostumar com a nova vida.

Eu sempre recomendo estudar no exterior quando se pretende mudar de país, porque além do aprendizado, você faz amigos e expande o seu networking. Esses amigos podem te oferecer uma oportunidade de trabalho inclusive.

7- Reforço positivo

Mantenha contato com as pessoas queridas do Brasil. Não apenas para matar as saudades, mas também compartilhar as suas conquistas.

As pessoas que realmente gostarem de você ficarão felizes pelas suas conquistas e você também notará o seu progresso falando disso para elas. Tem pessoas que, quando falam algo em voz alta, refletem sobre a própria fala e psicologicamente faz bem esta autopercepção.

8- A minha vida antes era assim, assim e assado

Por favor, não compare todos os detalhes do lugar que você escolheu viver com aquele em que residia. Todos têm as suas qualidades e também os defeitos. Reconheça o que te faz bem. Ser saudosista demais pode te deixar deprimido e não conseguirá se adaptar.

9- Mergulhe na cultura

Viva a cultura deste lugar que escolheu para viver. Conheça a arte, a dança, a gastronomia, a região, as pessoas, enfim, tudo que te permita degustar como é de verdade a vida no país. Afinal, se você escolheu estar aí, tem alguma coisa na cultura que te atrai muito. Essa descoberta será excelente para você se reconhecer e se apaixonar pelo que sonhou em vivenciar. Endorfina e serotonina a mil!

10- A certeza do “se não der certo”

O medo de fracassar assombra muitas pessoas que vão morar no exterior. Toda hora ficam aparecendo aqueles pensamentos de que, se a pessoa voltar, todos te acharão um derrotado. Se voltar, não irá se acostumar de novo com a vida que tinha lá. Se voltar, acontecerá isso e aquilo. Pare com isso! Antes de mais nada, você é um ser humano de carne e osso e tem o direito de não gostar, de ter planejado algo errado ou de querer voltar. Se isso acontecer, terá vivenciado experiências inesquecíveis na sua vida. Você investiu muito bem o seu dinheiro em bem estar e lembranças maravilhosas.

Nada te impedirá de voltar para o seu país de origem e planejar novamente uma mudança para este destino ou qualquer outro. As pessoas têm uma mania terrível de encarar determinados fatos como sentenças para uma vida inteira e, na verdade, não é bem assim. Se você achar que o retorno seria melhor em um determinado momento para fazer um planejamento mais consistente, faça e mude de novo. Lembre-se de que a única coisa certa na vida é a morte, como os nossos avós diziam. Afinal, para morrer, basta estarmos vivos (risos).

😉

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