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Por que caímos num limbo após voltar de um intercâmbio?

Muita gente que fez um intercâmbio ou residiu em outro país, quando está fora, sente saudades de vários aspectos do Brasil. Mas quando volta, acha que onde estava era melhor e não se sente feliz por ter retornado. É normal ter esta percepção de não pertencimento, apesar de ser um tanto incômoda.

Topo da Casa Milà em Barcelona

Fim de tarde em Barcelona

O que eu chamo de limbo carrega outros nomes populares, como depressão pós-intercâmbio ou síndrome do regresso e é algo mais comum do que se imagina. Na verdade, o transtorno psicológico começa no início da viagem. Ficamos carentes da nossa casa, dos amigos, da comida e até do hino nacional. Mas somos fortes. Respiramos fundo, colocamos a mala nas costas e embarcamos com coragem para aquele lugar que nos preparamos tanto para vivenciar.

Ao chegar ao país diferente, começamos a entrar em outro processo: o reconhecimento de território, das pessoas, dos gostos e aí começamos a criar identidade com o que nos parece familiar, pois assim nos sentiremos em casa. Esse reconhecimento todo leva algum tempo para acontecer. Algumas pessoas conseguem se adaptar em dois meses ao novo mundo, já outras em até seis meses.

Quando decidimos passar uma temporada em algum lugar, a tendência é que a gente se acostume rápido ao destino. Afinal, escolhemos por muitos motivos estar ali. Além disso, é mesmo mais fácil se adaptar a algo que te propicia novas descobertas todos os dias. Não existe uma rotina nos estudos ou no trabalho. Sempre há algum novo aprendizado cultural, um prato novo para experimentar, uma música nova para escutar e claro, todas as viagens locais que poderão ser feitas. O ganho é mesmo muito grande.

Ao retornar para o Brasil, o processo de tristeza começa ao entrar no aeroporto do destino. Os pensamentos vêm à tona sobre tudo o que foi conquistado (e também sobre o que deixará de ser vivido num futuro próximo). Botamos os pés no Brasil e não reconhecemos mais aquele lugar como nosso. Infelizmente, esta readaptação levará até dois anos para acontecer. Sim, o período da volta é bem maior que o da ida, segundo foi informado nesta matéria pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa.

Durante este período de limbo, vale a pena você ponderar aonde realmente deseja estar. Coloque em uma balança os prós e contras de tudo. A única coisa que não vale é repassar as suas chateações às pessoas com quem conviverá ao retornar. Muitas delas sentiram saudades de você durante o período em que esteve fora e tantas outras não poderão ter a mesma chance que você teve, de vivenciar algo tão especial. Seja leve. Aliás, como parte da sua readaptação, aja exatamente como fazia no exterior. Busque novas experiências onde estiver e trate bem as pessoas ao seu redor sem supervalorizar o que vivenciou em outros cantos. Assim você se acostumará novamente à antiga vida e em muito menos de dois anos.

😉

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