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“A minha mudança para a Nova Zelândia com filhos pequenos”

Confira a entrevista sobre mudança de país que fiz com a Andreia Medeiros. Ela se mudou com o marido e dois filhos pequenos para a Nova Zelândia sem conhecer muito o país. Em entrevista, falamos sobre a saudade da família, a adaptação das crianças, os prazeres e as dificuldades de morar fora.

Familia brasileira passeando pela Nova Zelândia
Passeio da família brasileira pela Nova Zelândia (crédito: arquivo pessoal da família Kiwi)

Andreia, o quê fez você mudar para a Nova Zelândia com filhos pequenos?

Sempre pensamos em morar fora do Brasil por todas as questões sociais que abalam o nosso cotidiano, como a segurança, educação e respeito ao próximo. Com a crise que se instalou no país, o mercado de trabalho ficou escasso para meu marido, que trabalha com TI. Ele então resolveu fazer uma pós-graduação no exterior para tentar uma forma de imigrar legalmente. Dentre os países que ofereciam esta opção, estava a Nova Zelândia. Na época, em 2015, este era o melhor custo-benefício em termos de tempo e valores. Fizemos todo um planejamento e investimos as nossas economias neste projeto, que nos deixou afastados por quase 2 anos, tempo que durou o curso de inglês e a especialização. Quando ele estava prestes a concluir as aulas, 1 ano e meio depois de vir para cá, foi convidado para trabalhar em uma empresa em Wellington, capital da NZ, na área dele. Depois de 6 meses, após o término do ano letivo no Brasil, vim com as crianças de mala e cuia para tentar uma vida melhor para nossos filhos.

Você já conhecia a Nova Zelândia antes da mudança?

Para ser sincera, conhecia muito pouco sobre o país. Tínhamos um grande amigo que já morava aqui há muitos anos, mas só fui pesquisar a fundo depois de decidirmos o curso. Nossa intenção inicial era ir para o Canadá, por conta da distância e do fuso serem menores. Mas o clima de lá era bem mais frio e o custo em geral muito mais alto, o que nos fez optar pela Nova Zelândia, que também descobrimos estar sempre entre os primeiros países do mundo em qualidade de vida e desenvolvimento humano.

Como foi dar a notícia da mudança para os seus país, parentes próximos e amigos?

Foi muito difícil. Tenho uma relação muito próxima com meus pais e somos muito apegados. E ainda tínhamos nossos parentes, amigos e vizinhos que eram muito participativos em nossas vidas. Acho que foi e ainda é a pior parte. Sofri demais em todas as despedidas. Os meninos reagiram de formas diferentes: o mais velho, que tinha 10 anos, queria vir para rever o pai. O mais novo, de 5 anos, não queria vir de jeito nenhum. Mas a família apoiou e meus sogros e minha cunhada vieram junto e ficaram conosco os primeiros 3 meses, o que ajudou bastante na adaptação.

Como foi a sua adaptação? E a dos seus filhos?

Não foi fácil. Sentíamos falta da nossa casa, pois morávamos em um condomínio onde todos se conheciam e as crianças tinham muitos amigos. Estranhamos o clima, bem diferente do nosso, com muito vento, chuva e frio. Na escola, o mais velho se adaptou bem rápido e aprendeu inglês em apenas 3 meses. O mais novo, que foi mais resistente à mudança, levou mais tempo e enfrentou alguns desafios, mas terminou o ano já fluente no idioma. Quanto a mim, apesar de ser formada em inglês no Brasil, senti muita dificuldade com o sotaque e expressões locais, pois o inglês neozelandês é bem diferente do tradicional. Com o tempo, fomos nos acostumando e fazendo novas amizades com os kiwis (como são apelidados quem nasce aqui).

Quais são os prazeres e as dificuldades de morar na Nova Zelândia?

Os prazeres são viver em um lugar lindo, com natureza exuberante por todos os lados, extremamente bem cuidado, limpo, organizado, eficaz, com pessoas educadas e respeitosas, baixíssimo índice de corrupção e um senso de coletividade muito acirrado. A qualidade de vida daqui é maravilhosa. Poder andar na rua sem medo, viver em paz, não observar tanta desigualdade e ter uma vida bem mais simples não tem preço. As dificuldades são a distância, os altos preços das passagens para o Brasil, não poder falar com a família a qualquer momento (por causa das 15 horas de fuso), não estar presente no dia a dia da família, o idioma, as diferenças culturais e, principalmente, a saudade.

Família passeando pelas florestas da Nova Zelândia
Interação da família com a natureza da Nova Zelândia (crédito: arquivo pessoal da família)

Hoje você diria que já está acostumada com a rotina daí? Pensa em voltar para o Brasil algum dia?

Acho que, ao final de um ano, já começo a me sentir acostumada. Mas ainda falta um pouquinho. Agora, conhecendo uma vida tão melhor e diferente, já penso se conseguiria me acostumar com a rotina no Brasil novamente. Quanto a voltar, penso sim, não me imagino vivendo longe da minha família, principalmente dos meus pais por muito tempo. Mas isso só o tempo vai dizer.

Vocês têm amigos por aí? 

No início, a gente procura fazer amizade com outros brasileiros, o que pode ser bom e, ao mesmo tempo, ruim. Ruim porque você acaba não praticando tanto o inglês e, às vezes, se doa demais às amizades que não são verdadeiras por pura carência e necessidade de se sentir um pouco “em casa”. Depois de um tempo, porém, a gente acaba conhecendo pessoas de outras culturas (a NZ é um país extremamente multicultural) e, se abrindo ao novo, sem deixar de lado os amigos verdadeiros do Brasil. Atualmente, tenho ótimas amizades com pessoas da Nova Zelândia, Filipinas, Israel, Fiji, Índia, entre outros.

Você costuma fazer algo de especial para os seus filhos terem alguma conexão com o Brasil? Brigadeiro, pão de queijo, música brasileira ou algo assim?

Nós fazemos questão de só falar português dentro de casa para manter o idioma vivo na mente das crianças. Trouxemos livros e gibis do Brasil e sempre pedimos para quem está vindo nos visitar trazer mais. Nossa alimentação é exatamente a mesma que tínhamos no Brasil: o tradicional arroz e feijão no almoço e na janta,. De vez em quando, fazemos pão de queijo (que já vende nos mercados aqui), salgadinhos e brigadeiro. Aliás, o brigadeiro fez um enorme sucesso entre os kiwis na festa de aniversário do mais velho. Também não falta a nossa tradicional picanha no churrasco!

O quê costumam fazer no tempo livre?

A gente gosta de explorar os lugares. Já fizemos diversas roadtrips pelo país, de norte a sul, conhecendo as praias, rios, lagos e montanhas. A Nova Zelândia é um país muito rico em natureza e totalmente voltado ao turismo, com uma excelente infraestrutura de lazer ao ar livre.

Foto em família na Nova Zelândia
Familia viajando pela Nova Zelândia (crédito: arquivo pessoal da família)

Por último, que conselhos você daria para as famílias brasileiras que desejam mudar de país, mas que por algum motivo ainda não tomaram esta decisão?

Em primeiro lugar, se planejem. Hoje em dia, os países desenvolvidos estão cada vez mais fechando as portas e mandando imigrantes ilegais de volta para casa. Alguns, como a NZ, ainda dão oportunidades, portanto, estudem cada uma delas, economizem, se preparem psicologicamente, pois é um investimento alto. Não acreditem em falsas promessas, existe muita fraude por aí. Procurem um consultor de imigração especializado. Não há caminho fácil. Alguns têm sorte de conseguir um emprego rápido, mas outros precisam trilhar um caminho mais longo para fazer tudo dentro da lei, como foi o nosso caso. E se dediquem a aprender o idioma do país para o qual têm intenção de se mudar: isso facilitará, e muito, a nova vida de vocês! No mais, venham de peito aberto, prontos a experimentar, aprender, cair e levantar. Garanto que, no final, a recompensa vai chegar.

Por Andreia Medeiros, autora do Família Kiwi, da Nova Zelândia.

*Confira também como foi a mudança da família da Renata para a Austrália, AQUI.

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