Categorias: Lifestyle Para sair da rotina

O Réveillon no Brasil e as suas crendices

Sempre falo para os estrangeiros da festa de ano novo no Brasil, não importa onde estou. Acho que é a tradição mais bonita de réveillon do mundo. Posso parecer patriota com a minha colocação, mas em nenhum outro lugar tem a animação, o calor e a energia brasileira.

Pôr do sol no Arpoador, Rio do Janeiro

Pôr do sol no Arpoador

Do calor ao frio

Vamos pensar friamente. Os países mais festivos e desejados do planeta estão em pleno inverno. Com temperaturas abaixo de zero e nada convidativas, seria difícil ficar muito tempo na rua e até mesmo tirar a mão do bolso para dar um abraço em um estranho. Cumprimentar desconhecidos não é também um hábito muito frequente entre estrangeiro, seja por palavras ou gestos. Então, só nestas cinco linhas de post, o abraço com bons votos e a passagem festiva a céu aberto se perderam.

Além disso, a maioria dos países não têm a tradição de usar branco. Este hábito que hoje temos foi trazido da África e passou a ser copiado pela beleza e crença no costume. Talvez ainda algumas nações africanas mantenham a prática, mas não é algo comum no restante do mundo.

Vamos a la playa!

Espreguiçadeiras na praia em Mangaratiba

Praia particular em Mangaratiba

É natural que o brasileiro em qualquer fim de semana ou feriado busque por praias. Temos excelentes opções e nem congestionamentos de dias inteiros são capazes de nos fazer desistir de ouvir o barulhinho do mar. No Réveillon esta necessidade se intensifica subliminarmente e a verdade é que até as buzinas dos carros nas estradas viram o canto da sereia nos chamando para o litoral. Não tem como não ir para um destino praiano. Juntam-se os dias extras que ganhamos para descansar, o automerecimento das dificuldades que enfrentamos ao longo dos meses, o calor aterrorizante de um país tropical no hemisfério sul e aquelas cobrança de pular as sete ondinhas a todo custo para termos um ano mais próspero.

E se não seguirmos desta forma, receberemos de nós mesmos a sentença do tédio num momento em que todo mundo estará se divertindo e nem as redes sociais vão nos salvar. As fotos dos amigos em praias belíssimas, familiares nos resorts e selfies de corpos dourados besuntados de Lancaster ficarão pipocando nas notificações do celular. Trágico isso, né? Mas assim mesmo que as pessoas que não viajam no final do ano se sentem no nosso país. E sabe o quê é pior? Ainda carregar o fardo de que o próximo ano não será tão bom, uma vez que não pularam as sete ondas na hora certa. Claro, que pensar assim é um grande exagero, mas de fato estar junto com a natureza, vivenciar experiências novas e com outras pessoas que carregam a mesma energia que a gente, faz a passagem de ano ser especial.

Piscina do Fasano na praia de Ipanema

Piscina do Fasano no Rio de Janeiro

As crendices populares

O brasileiro é cheio de crendices. Por ter sido constituído por várias culturas diferentes, cada uma trouxe os seus ensinamentos, religiões e tradições. Para a virada de ano, em especial, não é diferente. Comer lentilha, por exemplo, traz sorte devido a uma história bíblica e, acredite se quiser, tem cerca de 2000 anos. Já o banho de sal grosso ajuda a espantar os maus espíritos, além de ter benefícios fisiológicos e estéticos. Pular as sete ondas, de origem africana, estaria relacionado aos sete chackras (pontos de energia do ser humano e da natureza) e repetir o ato tantas vezes abriria os caminhos energéticos.

A mais popular de todas as crenças é de fato usar roupas brancas no momento da virada de ano. Na minha opinião, este hábito também faz a festa ser mais especial. Só de colocar as vestimentas da cor e desejar intimamente coisas positivas já é o suficiente para irradiar a alegria para os demais.

Turista em uma praia no fim da tarde

Roupas brancas e o mar

Bom, não sei vocês, mas eu sigo à risca a maioria das crendices acima e até compro banho de sal grosso e peças de roupas brancas para familiares e amigos mais próximos. No momento da virada, confesso que amo estar perto da natureza, principalmente se for uma praia. No caminho para o mar costumo cumprimentar, sim, todos ao meu redor. Amo o ano novo no Brasil e para mim não há lugar melhor para estar.

😉

Comente! via Facebook